segunda-feira, 11 de maio de 2015

Redes sociais como novo conceito para política

A cada eleição, a internet tem sido utilizada como uma potente ferramenta a fim de se propagar ideias e fazer marketing político

Dificilmente alguém não está em pelo menos uma rede social. Seja Facebook, Twitter, Linkedin ou Instagram. E a política também se apropriou desse meio de interação social.

Para o professor, filósofo e educador, Mário Sérgio Cortella, “existem pessoas que dizem que não se metem em política. Ao dizer isso, já é um ato político. Não existe um ser racional que não pratique política”, afirmou Cortella, que também explicou que “você faz política o tempo todo. Ao cumprimentar algumas pessoas, ao escolher um local para frequentar, ao escolher com quem você quer se relacionar, sua relação no trânsito, o destino que você quer dar a isso ou aquilo, tudo isso é política. São tomadas de decisões. O que é diferente de partido. Tem gente que tem partido, outros não, mas política todo mundo faz”, emendou o professor.

Um estudo realizado pelo instituto norte-americano de análises, Pew Research Center, revelou que as redes sociais motivam usuários a participarem de atividades políticas.


Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, as redes sociais são importantes para o debate político (Foto/Adriana Santana)

Com base em entrevistas com 2.255 adultos do país, a pesquisa concluiu que sites como Facebook, Twitter e Linkedin ajudam na hora de fazer amigos e se engajar em ações em prol do bem comum.

Ainda de acordo com o estudo, as redes sociais têm motivado cada vez mais usuários a participarem de movimentos com finalidade política. Para 57% dos entrevistados, redes como Twitter e Facebook influenciam internautas a tentarem mudar o voto ou opinião de amigos virtuais.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alkmin, do PSDB, assim como o prefeito da capital paulista Fernando Haddad, do PT, e secretarias importantes utilizam os mecanismos oferecidos na web para se aproximarem do eleitorado, o que na opinião do escritor Mário Sérgio Cortella, autor do livro “Política para não ser idiota”, junto com o também filósofo Renato Janine Ribeiro, acredita que não só a população deve usar o ambiente virtual para discutir política, mas as autoridades também devem ter a percepção da importância desse espaço. “O político ou a política que tiver inteligência será capaz de prestar atenção. Esquecer esse pedaço (as ferramentas das redes sociais) é uma prática tola. É necessário olhar para os dois lados, para a cidade e para os seus gestores”, analisa Cortella.

As redes sociais se tornaram verdadeiras vitrines para quem deseja saber o que acontece na vida de um político. Por outro lado, também é uma importante ferramenta para compreender o que os eleitores estão pensando das atitudes oficiais. Esse meio de comunicação passou a ser considerado como um termômetro do que a população exige ou deseja fazer.

Dayane Manfrere, especialista em mídias sociais, acredita que as redes podem criar imagens positivas dos ocupantes dos cargos públicos. “As redes sociais nasceram para interligar as pessoas. O político pode ter um relacionamento aparentemente pessoal com seu público, respondendo mensagens e interagindo com o público em tempo real, o que passa a impressão de ser uma conversa direta como eu e você”, frisou Dayane.

Mário Sérgio Cortella, que também foi Secretário da Educação na cidade de São Paulo entre os anos de 1991 e 1992, na gestão da prefeita Luiza Erundina, acredita no potencial político das ferramentas sociais na web, porém longe do ideal. “As redes sociais possuem potencial, mas ainda muito inicial. Uma parte das pessoas se contenta em dar um like (curtir) ao invés de participar ou de agir. Portanto, fica apenas no nível da consciência. Mas poderá ter na medida em que conecta, em que se junta as pessoas em torno disso”, frisou o filósofo.

Então analisamos o Twitter e o Facebook de algumas Secretarias do Estado de São Paulo como a de Segurança Pública, Meio Ambiente, Transportes e Esportes. Os perfis são usados como instrumentos de marketing, que sempre divulgam notas positivas sobre as ações do governo.

Percebe-se também a ausência de interação entre a população e o político. Não existe um debate ou uma discussão de ideias entre eles. “Acredito que eles usam pouco. Poderiam usar mais para eu conhecer mais. Acredito que falta um pouco mais de posicionamento para sabermos o que eles estão fazendo. Isso pode melhorar”, é o que diz Keliane Leal, 29, auxiliar de secretaria e antenada na política brasileira.

Keliane, em alguns momentos, utiliza o facebook para expor a sua opinião. E deixa claro o seu posicionamento político. No entanto, ela não vê uma interação de seus amigos virtuais. “Algumas pessoas vão lá e colocam suas opiniões, mesmo que sejam contrárias. Mas a maioria (dos amigos do facebook) ignora, elas não discutem os temas”, finaliza Keliane.

Quando algum fato polêmico está em pauta ninguém perde tempo e recorre aos canais oficiais para cobrar mudanças e respostas. Mas parece que as redes são controladas por robôs. O clima é de certo modo monótono.

Com exceção da secretaria municipal de cultura que contém um grande número de fotografias de eventos, não somente os oficias, mas também, os que são relevantes.

Para a especialista em mídias sociais, Dayane Manfrere, o fato dos políticos serem ausentes das redes sociais faz parte do jogo político, pois esse mecanismo é utilizado como um meio para propaganda eleitoral. “A equipe de marketing é feita para vender o político”, pontua Dayane.

O filósofo e professor, Mário Sérgio Cortella, entende que há atualmente uma recusa da população ao modo arcaico de se fazer política, o que pode ser alienação ou um ato político. “Será alienação se for desconectado da realidade ou um mero fingimento. Será uma proposta política se for um dizer não ao modo arcaico de se fazer política, que sendo feito nas redes sociais ganharia uma outra natureza”, finalizou o professor.

Vander Felipe

Ouça um trecho da entrevista com Mário Sérgio Cortella e Keliane Leal


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