A cada eleição, a internet tem sido utilizada como uma potente
ferramenta a fim de se propagar ideias e fazer marketing político
Dificilmente alguém não está em pelo menos uma rede social. Seja Facebook, Twitter, Linkedin ou Instagram. E a política também se apropriou desse meio de interação social.
Para o professor, filósofo e
educador, Mário Sérgio Cortella, “existem
pessoas que dizem que não se metem em política. Ao dizer isso, já é um ato
político. Não existe um ser racional que não pratique política”, afirmou
Cortella, que também explicou que “você
faz política o tempo todo. Ao cumprimentar algumas pessoas, ao escolher um
local para frequentar, ao escolher com quem você quer se relacionar, sua
relação no trânsito, o destino que você quer dar a isso ou aquilo, tudo isso é
política. São tomadas de decisões. O que é diferente de partido. Tem gente que
tem partido, outros não, mas política todo mundo faz”, emendou o professor.
Um estudo realizado pelo
instituto norte-americano de análises, Pew Research Center, revelou que as
redes sociais motivam usuários a participarem de atividades políticas.
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Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, as redes sociais são importantes para o debate político (Foto/Adriana Santana)
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Com base em entrevistas com
2.255 adultos do país, a pesquisa concluiu que sites como Facebook, Twitter e
Linkedin ajudam na hora de fazer amigos e se engajar em ações em prol do bem
comum.
Ainda de acordo com o
estudo, as redes sociais têm motivado cada vez mais usuários a participarem de
movimentos com finalidade política. Para 57% dos entrevistados, redes como
Twitter e Facebook influenciam internautas a tentarem mudar o voto ou opinião
de amigos virtuais.
Em São Paulo, o governador
Geraldo Alkmin, do PSDB, assim como o prefeito da capital paulista Fernando
Haddad, do PT, e secretarias importantes utilizam os mecanismos oferecidos na
web para se aproximarem do eleitorado, o que na opinião do escritor Mário
Sérgio Cortella, autor do livro “Política
para não ser idiota”, junto com o também filósofo Renato Janine Ribeiro,
acredita que não só a população deve usar o ambiente virtual para discutir
política, mas as autoridades também devem ter a percepção da importância desse
espaço. “O político ou a política que
tiver inteligência será capaz de prestar atenção. Esquecer esse pedaço (as
ferramentas das redes sociais) é uma prática tola. É necessário olhar para os
dois lados, para a cidade e para os seus gestores”, analisa Cortella.
As redes sociais se tornaram
verdadeiras vitrines para quem deseja saber o que acontece na vida de um
político. Por outro lado, também é uma importante ferramenta para compreender o
que os eleitores estão pensando das atitudes oficiais. Esse meio de comunicação
passou a ser considerado como um termômetro do que a população exige ou deseja
fazer.
Dayane Manfrere,
especialista em mídias sociais, acredita que as redes podem criar imagens
positivas dos ocupantes dos cargos públicos. “As redes sociais nasceram para interligar as pessoas. O político pode
ter um relacionamento aparentemente pessoal com seu público, respondendo
mensagens e interagindo com o público em tempo real, o que passa a impressão de
ser uma conversa direta como eu e você”, frisou Dayane.
Mário Sérgio Cortella, que
também foi Secretário da Educação na cidade de São Paulo entre os anos de 1991
e 1992, na gestão da prefeita Luiza Erundina, acredita no potencial político
das ferramentas sociais na web, porém longe do ideal. “As redes sociais possuem potencial, mas ainda muito inicial. Uma
parte das pessoas se contenta em dar um like (curtir) ao invés de participar ou
de agir. Portanto, fica apenas no nível da consciência. Mas poderá ter na
medida em que conecta, em que se junta as pessoas em torno disso”, frisou o
filósofo.
Então analisamos o Twitter e
o Facebook de algumas Secretarias do Estado de São Paulo como a de Segurança
Pública, Meio Ambiente, Transportes e Esportes. Os perfis são usados como
instrumentos de marketing, que sempre divulgam notas positivas sobre as ações
do governo.
Percebe-se também a ausência
de interação entre a população e o político. Não existe um debate ou uma
discussão de ideias entre eles. “Acredito
que eles usam pouco. Poderiam usar mais para eu conhecer mais. Acredito que
falta um pouco mais de posicionamento para sabermos o que eles estão fazendo.
Isso pode melhorar”, é o que diz Keliane Leal, 29, auxiliar de secretaria e
antenada na política brasileira.
Keliane, em alguns momentos,
utiliza o facebook para expor a sua opinião. E deixa claro o seu posicionamento
político. No entanto, ela não vê uma interação de seus amigos virtuais. “Algumas pessoas vão lá e colocam suas
opiniões, mesmo que sejam contrárias. Mas a maioria (dos amigos do facebook)
ignora, elas não discutem os temas”, finaliza Keliane.
Quando algum fato polêmico
está em pauta ninguém perde tempo e recorre aos canais oficiais para cobrar
mudanças e respostas. Mas parece que as redes são controladas por robôs. O
clima é de certo modo monótono.
Com exceção da secretaria
municipal de cultura que contém um grande número de fotografias de eventos, não
somente os oficias, mas também, os que são relevantes.
Para a especialista em
mídias sociais, Dayane Manfrere, o fato dos políticos serem ausentes das redes
sociais faz parte do jogo político, pois esse mecanismo é utilizado como um
meio para propaganda eleitoral. “A equipe
de marketing é feita para vender o político”, pontua Dayane.
O filósofo e professor,
Mário Sérgio Cortella, entende que há atualmente uma recusa da população ao
modo arcaico de se fazer política, o que pode ser alienação ou um ato político.
“Será alienação se for desconectado da
realidade ou um mero fingimento. Será uma proposta política se for um dizer não
ao modo arcaico de se fazer política, que sendo feito nas redes sociais
ganharia uma outra natureza”, finalizou o professor.
Vander Felipe
Ouça um trecho da entrevista com Mário Sérgio Cortella e Keliane Leal

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