quinta-feira, 7 de maio de 2015

Avalanche de exposições batem recordes de visitas em museus

Coleção com obras de Pablo Picasso e pintores modernistas espanhóis dá continuidade ao ciclo de grandes amostras de arte no país

Nos últimos anos o Brasil recebeu uma enxurrada de exposições e amostras de arte, parece que finalmente o país é parte da rota obrigatória dos grandes pintores. Nesta leva, o holandês Escher pousou por aqui em no ano de 2012 com sua obra tridimensional e com recursos de ilusão de ótica.

Mais tarde, seria a vez dos impressionistas, quadros dos renomados Van Gogh, Degas, Cézzane, Monet e muitos outros levaria apreciadores e iniciantes no mundo das artes a passar à noite na fila em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

As heranças renascentistas do ocidente também apareceriam por aqui com famosos quadros e esboços de Leonardo da Vince, Rafael e Ticiano.

Fila de espera para ver exposição (Foto: Ronaldo Lages)
A japonesa Yayoi kusama teria sua exposição disputada a tapas pelos espectadores, filas enormes dariam volta ao redor do prédio do Instituto Thomie Othake no bairro de Pinheiros.

No mesmo espaço, este ano, ilustrações, quadros, peças publicitárias e capas de revista protagonizadas por Salvador Dalí também seriam expostas com sucesso e ampla divulgação nos meios de comunicação.

Neste momento, um ciclo se completa, pois mais uma amostra de sucesso acontece, Pablo Picasso e a Modernidade Espanhola que chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil. Novamente as filas se formaram para ver o legado das estrelas do mundo da arte.

E isso o que nos fala a historiadora em arte Gisela Dias, que havia acabado de ver a exposição e ficou impressionada com a diversidade de obras. Segundo ela, a amostra passou por muitas fases, não ficou apenas no cubismo, por isso, seu interesse nos artistas espanhóis. “O legal é que ele não foi apenas um artista que transitou desde as tendências mais clássicas até a modernidade e o expressionismo. E tem também artistas de outros lugares como da América Latina, e aqueles que fizeram parte do período conflituoso da guerra civil espanhola”.

Contudo, uma questão fica: as pessoas têm se interessado mais por arte nos últimos anos ou apenas seria movido pelo efeito da internet e dos demais meios de comunicação? “Minha percepção é a de que as pessoas estão começando a apreciar arte, talvez pelo fato de estarem vindo para São Paulo amostras de artistas renomados e que acabam por incentivar muitas pessoas. Acho que começou a cair no gosto, mas tem aqueles que com certeza são influenciados porque há uma propagação muito grande da mídia e é bonito dizer para os outros que você frequenta exposições”.

 Reprodução da obra: O pintor e a modelo, 1963

Os espectadores enfrentavam a fila que se estendia vários quarteirões embaixo do sol na rua Álvares Penteado, na região central da capital paulista. Dentre as pessoas que estavam ali, muitas pela primeira vez para ver uma exposição de arte, era o caso de Cristina Fanny, de 43 anos, que veio por influência da filha Camila de 17. “Estou bem ansiosa, é a primeira vez que eu venho até o CCBB e conheci as obras por intermédio da minha filha que estuda”.

Já Camila diz que a mãe faz companhia e que é fã do quadro “Guernica” que não estava exposto. “É muito importante gostar de arte, faz parte da cultura e fico contente por minha mãe ter passado a gostar também”.

O casal de jovens Gabriel Dellanegra e Rafela Lamas havia acabado de chegar, e apesar da fila, esperariam para tirar suas conclusões. Segundo eles, existe sim o interesse das pessoas para ver conteúdos artísticos e não faltam opções em São Paulo. “Hoje temos mais acesso, vejo que as pessoas têm mais opções, vindo pra cá vimos que existem várias outras exposições. A questão é tornar mais acessível, a região central da cidade é muito mais fácil se chegar, assim, as pessoas ao perceber que podem chegar sem muita dificuldade aderem”.

A estudante Rafaela Lamas acredita que o momento atual é propício para quem gosta de arte, com muitas oportunidades para conhecer mais. “Eu gosto muito de arte no geral, hoje existe uma abertura maior de amostras e arte em lugares acessíveis”.

Já para a aposentada Amélia Clementino, o que lhe chama atenção na obra do espanhol é a capacidade que possuía em transformar a realidade em imagens totalmente modificadas e fazer o interlocutor refletir. “É bastante difícil falar sobre Picasso, pois ele olhava para a realidade e modificava completamente, tem quadros que a gente fica procurando os detalhes, nos deixa atrapalhados na hora de olhar”. Contudo, Amélia ainda acha que o Brasil está longe de ser um país mais interessado em arte e museus. “Quando vou a outros países reparo que as pessoas estão sempre mais interessadas, por aqui os museus estão abertos, mas sempre vazios”.

Um fato curioso ocorrido no dia da abertura da exposição, com o curador da amostra, o espanhol Eugênio Carmona, foi quando um dos espectadores disse enxergar no famoso quadro de Picasso “O pintor e a modelo” de 1963 um judeu ortodoxo retratando Adolf Hitler, dessa forma, comprovando, antes de tudo, que a arte sem o uso da imaginação não é nada.


Veja também, Abertura da amostra Pablo Picasso e a Modernidade Espanhola

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