Coleção com obras de Pablo
Picasso e pintores modernistas espanhóis dá continuidade ao ciclo de grandes
amostras de arte no país
Nos últimos anos o Brasil
recebeu uma enxurrada de exposições e amostras de arte, parece que finalmente o
país é parte da rota obrigatória dos grandes pintores. Nesta leva, o holandês
Escher pousou por aqui em no ano de 2012 com sua obra tridimensional e com
recursos de ilusão de ótica.
Mais tarde, seria a vez dos
impressionistas, quadros dos renomados Van Gogh, Degas, Cézzane, Monet e muitos
outros levaria apreciadores e iniciantes no mundo das artes a passar à noite na
fila em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
As heranças renascentistas
do ocidente também apareceriam por aqui com famosos quadros e esboços de
Leonardo da Vince, Rafael e Ticiano.
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| Fila de espera para ver exposição (Foto: Ronaldo Lages) |
A japonesa Yayoi kusama
teria sua exposição disputada a tapas pelos espectadores, filas enormes dariam
volta ao redor do prédio do Instituto Thomie Othake no bairro de Pinheiros.
No mesmo espaço, este ano,
ilustrações, quadros, peças publicitárias e capas de revista protagonizadas por
Salvador Dalí também seriam expostas com sucesso e ampla divulgação nos meios
de comunicação.
Neste momento, um ciclo se
completa, pois mais uma amostra de sucesso acontece, Pablo Picasso e a
Modernidade Espanhola que chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil. Novamente
as filas se formaram para ver o legado das estrelas do mundo da arte.
E isso o que nos fala a
historiadora em arte Gisela Dias, que havia acabado de ver a exposição e ficou
impressionada com a diversidade de obras. Segundo ela, a amostra passou por
muitas fases, não ficou apenas no cubismo, por isso, seu interesse nos artistas
espanhóis. “O legal é que ele não foi
apenas um artista que transitou desde as tendências mais clássicas até a
modernidade e o expressionismo. E tem também artistas de outros lugares como da
América Latina, e aqueles que fizeram parte do período conflituoso da guerra
civil espanhola”.
Contudo, uma questão fica:
as pessoas têm se interessado mais por arte nos últimos anos ou apenas seria
movido pelo efeito da internet e dos demais meios de comunicação? “Minha percepção é a de que as pessoas estão
começando a apreciar arte, talvez pelo fato de estarem vindo para São Paulo
amostras de artistas renomados e que acabam por incentivar muitas pessoas. Acho
que começou a cair no gosto, mas tem aqueles que com certeza são influenciados
porque há uma propagação muito grande da mídia e é bonito dizer para os outros
que você frequenta exposições”.
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| Reprodução da obra: O pintor e a modelo, 1963 |
Os espectadores enfrentavam
a fila que se estendia vários quarteirões embaixo do sol na rua Álvares
Penteado, na região central da capital paulista. Dentre as pessoas que estavam
ali, muitas pela primeira vez para ver uma exposição de arte, era o caso de
Cristina Fanny, de 43 anos, que veio por influência da filha Camila de 17. “Estou bem ansiosa, é a primeira vez que eu
venho até o CCBB e conheci as obras por intermédio da minha filha que estuda”.
Já Camila diz que a mãe faz
companhia e que é fã do quadro “Guernica” que não estava exposto. “É muito
importante gostar de arte, faz parte da cultura e fico contente por minha mãe
ter passado a gostar também”.
O casal de jovens Gabriel
Dellanegra e Rafela Lamas havia acabado de chegar, e apesar da fila, esperariam
para tirar suas conclusões. Segundo eles, existe sim o interesse das pessoas
para ver conteúdos artísticos e não faltam opções em São Paulo. “Hoje temos mais acesso, vejo que as pessoas
têm mais opções, vindo pra cá vimos que existem várias outras exposições. A
questão é tornar mais acessível, a região central da cidade é muito mais fácil
se chegar, assim, as pessoas ao perceber que podem chegar sem muita dificuldade
aderem”.
A estudante Rafaela Lamas
acredita que o momento atual é propício para quem gosta de arte, com muitas
oportunidades para conhecer mais. “Eu
gosto muito de arte no geral, hoje existe uma abertura maior de amostras e arte
em lugares acessíveis”.
Já para a aposentada Amélia
Clementino, o que lhe chama atenção na obra do espanhol é a capacidade que
possuía em transformar a realidade em imagens totalmente modificadas e fazer o
interlocutor refletir. “É bastante
difícil falar sobre Picasso, pois ele olhava para a realidade e modificava
completamente, tem quadros que a gente fica procurando os detalhes, nos deixa
atrapalhados na hora de olhar”. Contudo, Amélia ainda acha que o Brasil
está longe de ser um país mais interessado em arte e museus. “Quando vou a outros países reparo que as
pessoas estão sempre mais interessadas, por aqui os museus estão abertos, mas
sempre vazios”.
Um fato curioso ocorrido no
dia da abertura da exposição, com o curador da amostra, o espanhol Eugênio
Carmona, foi quando um dos espectadores disse enxergar no famoso quadro de
Picasso “O pintor e a modelo” de 1963 um judeu ortodoxo retratando Adolf
Hitler, dessa forma, comprovando, antes de tudo, que a arte sem o uso da
imaginação não é nada.
Veja também, Abertura da
amostra Pablo Picasso e a Modernidade Espanhola


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