sábado, 9 de maio de 2015

Seca obriga paulistanos a criar formas criativas para captação de água

Pano para coar água da calha e balde debaixo do telhado são algumas das táticas inventadas. Especialistas alertam os riscos dessa captação precária e dão dicas para um armazenamento seguro

A crise hídrica está castigando o Sudeste e obrigando os paulistas a experimentar um pouco do sofrimento de quem vive a seca. Muitas pessoas ainda não entenderam a gravidade do problema e o quão importante é economizar e armazenar a água que ainda conseguimos.

O criador do site Sempre Sustentável e professor e construtor de mini cisternas Edison Urbano, explica o porquê é necessário utilizar outras formas de captação de água, “como os reservatórios que abastecem a cidade estão com os níveis muito baixos, usar a água da chuva vai ajudar a preservar para a época de estiagem”, afirmou.

Mini cisterna construída por Edison Urbano (Foto: Celina Oliveira)

No entanto, para outros a ficha caiu e para poder passar por essa fase ruim, muitas pessoas estão dando um “jeitinho brasileiro” e buscando diversas formas criativas de captação de água da chuva.

A aposentada Maria, de 56 anos, por exemplo, não pode ver o tempo fechando que já coloca os baldes do lado de fora para poder aproveitar cada pinguinho. “Eu costumo captar a água que cai no telhado. Eu ponho uma calha com um pano para coar e deixo cair em um balde ou tambor”, disse Maria.

Apesar de ser uma das maneiras mais comuns, talvez não seja a mais correta ou segura. O Professor Edison Urbano, também comentou sobre a gravidade de utilizar essa técnica de captação, “isso infelizmente muita gente está fazendo, mas não é correto, é até prejudicial para o meio ambiente e para saúde pública”, explicou.

É importante utilizarmos a água com os cuidados necessários e se lembrar de que a primeira chuva que caí na telha deve sempre ser descartada, porque pode estar contaminada.

O presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Roberto Gravina Pladevall, traz outros alertas importantes sobre a utilização da água que for captada. “Esta água que vai ser armazenada não pode ser utilizada para consumo humano, beber ou cozinhar, apenas para usos não nobres”, ressaltou.

Para ajudar quem quer fazer a reutilização da água, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), criou um manual para montagem de sistema de captação de água da chuva. Nesta cartilha encontramos dicas, como, descartar a água contaminada que fica no telhado da casa. Outra dica é fazer a filtragem dessa água. O acesso a esse manual é gratuito e pode ser encontrado no site do IPT.

Captação de água potável

No caso de água potável, a alternativa mais conhecida é o poço artesiano. Entretanto, pode não ser tão fácil, visto que as medidas exigidas para a construção de um poço tornam o processo burocrático. Além de precisar de uma licença que pode demorar até um ano para sair. São consideradas questões ambientais, urgência para o uso da água, localização e sistemas ativos de abastecimento público nas proximidades do local.

Deve se levar em conta que apesar das águas de poços artesianos colaborarem para passar essa fase de crise hídrica, os cuidados que se deve ter são grandes também. Porque a água de poços de baixa profundidade ou sem acompanhamento não pode ser ingerida. É necessário um responsável técnico pela análise clínica e outro para garantir que a água é potável.

Roberto Pladevall, alertou ainda que o uso errado da água é muito sério, e quem não pode captar água potável por meio de poços deve continuar usando fontes confiáveis, “ a recomendação é o seguinte, utilize água da concessionária, que é uma água com todos os padrões de qualidade exigidos, ou se compra água mineral”, finalizou.

Como vimos, existem algumas maneiras de captar água para fins nobres e não nobres, mas todos eles necessitam de cuidados. A água é um bem de toda a humanidade e sem ela não existe vida. O dever de cuidar, economizar e preservar é de todos nós.



Celina Oliveira

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